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Ricardo Nêggo Tom

Músico, graduando em jornalismo, locutor, roteirista, produtor e apresentador dos programas "Um Tom de resistência", "30 Minutos" e "22 Horas", na TV 247, e colunista do Brasil 247

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O final eletrizante da caminhada de Nikolas Ferreira

A informação é de que São Pedro disparou o raio. Deus jamais erraria o alvo, ironiza Ricardo Nêggo Tom

Nikolas Ferreira ao lado dos deputados André Fernandes e Gustavo Gayer (Foto: Reprodução)

O mês de janeiro parece estar destinado aos acontecimentos mais escatológicos da política do Brasil. Depois do 8 de janeiro de 2023, quando os bolsonaristas tentaram dar um golpe de Estado no país, o dia 25 de janeiro de 2026 entra para a história como o dia em que Deus perdeu a paciência com a legião de demônios e espíritos obsessores que compõem a extrema-direita brasileira, e mandou um raio para acordar o gado de sua distopia política e social. A reação do divino criador é compreensível e justificável, afinal, ele está vendo o quanto país melhorou sob o governo Lula, depois de ter comido o pão com leite condensado que Bolsonaro amassou, sob o governo do diabo que hoje está repreendido na Papudinha.

Observando a caminhada organizada por Nikolas Ferreira para libertar criminosos e prender novamente o Brasil nas grades do fascismo, Deus se lembrou que em 2021, durante o governo do hoje presidiário, o Brasil voltou a figurar no mapa da fome da ONU, com 2,5% da população sofrendo de subalimentação segundo relatório da entidade. Os analistas associaram o aumento da fome a fatores como a política econômica, índice de desemprego, redução da renda e desmonte de políticas de segurança alimentar entre 2019 e 2022. Mas Deus sabia que a maldade do então governante era o que determinava tão drástica situação. E nenhum desses seres trevosos que caminhavam ao lado de Nikolas reclamava da situação.

Deus também se lembrou que enquanto muitos disputam algum resquício de proteína na fila do osso, Jair Bolsonaro aparecia comendo uma picanha de R$ 1.700,00, e dizendo para aqueles que não podiam comer carne em função da alta do produto, que comessem ovos ou tainha. Deus também não se esqueceu que durante um encontro com empresários, em São Paulo, Bolsonaro chegou a ironizar o fato de o brasileiro querer comer picanha e filé mignon, dizendo que “não tem filé mignon para todo mundo”, sugerindo que tais cortes não eram para todos e corroborando com a disparidade social existente no país. “Que filho da puta”, reagiu humanamente o criador naquela oportunidade, enquanto anotava no caderninho as pérolas que o então presidente soltava contra o seu próprio povo.

Deus que não se deixa escarnecer, também se lembrou que no governo Lula o país saiu novamente do mapa da fome, e os preços de alimentos como arroz, feijão, leite e a carne – que registravam aumentos expressivos entre 2019 e 2022 – baixaram consideravelmente. Deus também está observando que desde que assumiu a presidência em 2023, Lula vem cumprindo com o que havia prometido. Reduziu a taxa de desemprego, a fome, o índice de desigualdade e a inflação, e isentou de imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil. “Por que essa gente quer derrubar esse governo, se ele faz coisas boas para o povo”, perguntou Deus a São Pedro, enquanto assistia à chegada da marcha de Nikolas Ferreira em Brasília. “O senhor deve saber melhor do que eu”, respondeu São Pedro, lembrando a Deus que Lula ainda planejava acabar com a escala 6x1 para que os trabalhadores tivessem mais qualidade de vida.

Um filme foi passando na cabeça de Deus quando, de repente, ele deu um grito: “Acabou, porra!”, e pediu para que São Pedro fizesse chover torrencialmente em Brasilia. “Pode ser granizo, senhor?”, instigou o porteiro do céu. Deus olhava atentamente a movimentação bolsonarista na Praça do Cruzeiro, e já não aguentava mais ouvir o seu nome ser invocado para auxiliar desocupados, golpistas e criminosos. São Pedro, que também já estava farto das loucuras daquela gente, botou mais pilha no chefe: “Eles gostam da sua versão mais radical, senhor.”, disse ele. Deus coçou a barba e ordenou: “Aumenta a chuva e inclui uns ventos também. Se eles gostam da minha versão antigo testamento, vou fazer com que eles se sintam num dilúvio” E assim fez São Pedro, apontando para o lado e mostrando a Deus que Michelle Bolsonaro havia chegado no evento. “Ah, não! Agora é que o meu domingo vai para o brejo. Essa mulher não para de chamar meu nome em vão”, lamentou Deus.

Vendo que a coisa iria piorar e que Nikolas Ferreira acabara de iniciar uma oração pela libertação dos presos do 08/01 – incluindo Jair Bolsonaro – Deus toma uma drástica decisão: “Manda um raio, Pedro” Ao ouvir a ordem do chefe, São Pedro tentou ponderar: “Senhor, inocentes podem ficar feridos ou até morrer” Deus não se compadeceu do apelo e mandou o santo seguir com a missão. “Eu já matei tantos inocentes na Bíblia, não vai ser essa raça de víboras que eu irei poupar” São Pedro insistiu: “Tem certeza, senhor?”, e começou a sentir a ira de Deus na própria pele. “Quem você pensa que é para me dizer o que devo ou não fazer? Pensa que eu esqueci que tu já me negaste por três vezes?” Constrangido, São Pedro pediu perdão ao chefe e foi preparar o raio. “E vê se não erra o alvo dessa vez, hein?”, alertou Deus, se lembrando de quando São Pedro ficou encarregado de atingir a Casa Branca e acertou residências próximas a sede do governo dos EUA.


Raio pronto e alvo na mira, Deus em sua misericórdia ainda pede para que Pedro espere mais um pouquinho para ver se rola algum arrependimento entre os manifestantes, mas o santo alerta para a chegada de Carlos Bolsonaro com uma camisa escrito “Bolsonaro Free”. Poliglota de nascença, Deus ironiza a frase na blusa do filho do capitão: “Se até o filho quer se ver livre do pai, quem sou eu para salvá-lo” Enquanto o gado continuava debaixo de forte chuva, Deus zapeava o monitor do mundo quando parou na câmera dos EUA e viu mais um cidadão estadunidense ser morto pela polícia de Donald Trump. Revoltado, se dirigiu a Pedro, pediu que preparasse outro raio e sentenciou: “Quando acabar aí, o laranjão é o próximo”, e foi para os seus aposentos. Ao ouvir um estrondo, gritou de lá: “Eu sabia que você ia errar de novo, Pedro. É como diz o ditado: quer bem feito, faça você mesmo” E Deus lamentou o fato de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. E nós também. Acorda, Brasil!


 

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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